Há 30 anos, era lançada a urna eletrônica brasileira. Utilizada em larga escala pela primeira vez nas eleições municipais de 1996, foi criada para prevenir fraudes que ocorriam com o voto de papel.
A prática era tão comum que os métodos de fraude eram conhecidos pelo nome: o voto formiguinha, a urna emprenhada, a mão mágica, o bico de pena e o mapismo eram táticas recorrentes colocadas em prática nas zonas eleitorais de todo o país. Entenda abaixo como era cada uma das fraudes.
“O cenário que vivíamos foi o grande motivador para uma grande transformação. Nós votávamos em uma eleição no papel com muita intervenção humana”, afirma Giuseppe Janino, um dos criadores da urna eletrônica.
“E onde há intervenção humana, há três atributos vinculados ao ser humano: a lentidão, a prática de erros e muitas fraudes desenvolvidas no processo. Um portfólio de fraudes só é limitado pela criatividade do brasileiro”, diz o ex-secretário de tecnologia da informação do TSE, um dos autores do projeto do sistema de votação brasileiro.
Com o voto de papel, a apuração do resultado das eleições podia levar dias ou até semanas para ser concluída. Já com o voto eletrônico, os candidatos eleitos são conhecido no mesmo dia em todo o país, horas depois da votação ser finalizada.
Também eram comuns erros de preenchimento de cédulas, rasuras e votos anulados por falhas formais. O próprio TSE reconhece problemas como a demora e a ocorrência de fraudes nas votações.
“A demora era comum em eleições de grande porte. Em muitos casos, o resultado final só era conhecido dias após a votação. Além disso, problemas como rasuras em cédulas, preenchimento incorreto e fraudes durante a contagem comprometiam a confiabilidade do processo”, afirma a Corte Eleitoral em uma publicação.
Como funciona a urna eletrônica
A urna eletrônica não é conectada à internet, ao Wi-Fi ou ao Bluetooth. Durante a votação, ela funciona de forma isolada e executa apenas programas previamente inspecionados, segundo o TSE. Antes das eleições, os sistemas utilizados na votação passam por etapas de inspeção, testes e fiscalização. Após, são gravados em mídias e lacrados para serem utilizados nas urnas.
Os eleitores de cada seção também estão cadastrados nas suas respectivas urnas. Com a identificação, o mesário habilita a urna para a votação. Os votos são registrados individualmente, à medida que são inseridos na urna: cada voto digitado por cada eleitor representa um único arquivo.
Os votos são armazenados em ordem aleatória, de modo que não seja possível associar um voto ao eleitor que o inseriu. Ao final da votação, a urna imprime o Boletim de Urna (BU) e grava os dados do resultado em uma mídia. A partir daí, as informações seguem para os sistemas de totalização por uma rede utilizada exclusivamente pela Justiça Eleitoral. G1





