
Esta foi uma semana de sufoco para quem precisou trafegar pela BR-324. Talvez fosse melhor dizer de “mais sufoco”. Afinal, nos últimos anos, os baianos (sem jamais se acostumar) têm enfrentado sofrimento sempre que precisam passar pela rodovia que liga Salvador ao interior do estado e também a outras estradas que dão acesso às demais regiões do país.
Na última terça-feira (7), um trecho da BR-324 foi totalmente interditado, na região de Simões Filho, depois que agentes da Polícia Rodoviária Federal constataram o agravamento de um problema estrutural causado por um bueiro localizado sob a pista, que provocou o afundamento do pavimento. Um dia depois, a PRF informou que a rodovia havia sido liberada após o reparo.
Mas o serviço, ao que tudo indica, foi feito de forma precária. Na quinta-feira, a pista voltou a ser interditada, e a situação se agravou com a abertura de uma cratera. Desde então, o fluxo de veículos está sendo desviado para a via lateral.
Nesta sexta-feira (10), alguns trechos da BR-324 seguiram com intervenções para a realização de obras de reparo pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), órgão federal ligado ao Ministério dos Transportes.
Foi pelas mãos do engenheiro nascido em Pitangui, Minas Gerais, Vasco Filho que começou a surgir a rodovia responsável por ligar Salvador ao interior da Bahia. As obras tiveram início em 1948, e a estrada foi aberta ao tráfego dois anos depois. A pavimentação, porém, só foi concluída no início da década de 1960.
Àquela altura, seria difícil imaginar que a rodovia criada para integrar os municípios baianos acabaria se transformando, décadas mais tarde, em motivo recorrente de transtorno para milhares de motoristas.
Em outubro de 2009, na tentativa de melhorar os serviços prestados aos usuários, a BR-324 foi concedida à iniciativa privada. A ViaBahia venceu a licitação para administrar a rodovia por 25 anos. A cobrança de pedágio iniciou pouco mais de um ano depois, em dezembro de 2010, após a execução de obras emergenciais.
Mas o que deveria ser uma solução acabou se transformando em um problemão. Durante 15 anos, os serviços precários prestados pela ViaBahia impuseram sucessivos transtornos aos baianos. A rodovia permaneceu esburacada, tomada pelo mato e sem a ampliação necessária das faixas, cenário que contribuiu para congestionamentos cada vez mais longos.
Em junho de 2013, fortes chuvas provocaram uma erosão de grandes proporções na rodovia na altura do Porto Seco Pirajá, em Salvador, entre os quilômetros 617 e 619.
O problema começou com o afundamento de duas faixas da pista marginal, mas avançou rapidamente à medida que a chuva continuava. A situação obrigou a interdição completa do sentido Feira de Santana, e os veículos passaram a dividir a pista oposta.
O desvio transformou o trecho em um ponto permanente de retenção, com longas filas principalmente nos horários de pico. A normalização só ocorreu três meses depois, em setembro, quando as faixas foram reabertas após a conclusão dos reparos e das inspeções de segurança.
Diante do acúmulo de reclamações e do descumprimento das obrigações previstas, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou, em outubro de 2024, o encerramento do contrato de concessão.
A saída da empresa, porém, ainda custou caro aos cofres públicos. O fim do contrato foi efetivado após o pagamento da indenização definida pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A ViaBahia recebeu uma “bolada” de R$ 681 milhões para deixar a administração das rodovias e, finalmente, livrar os baianos dos transtornos provocados por uma concessão que nunca entregou o serviço prometido.
O governo federal reassumiu a gestão da rodovia com a promessa de realizar uma nova concessão. Em maio deste ano, o Consórcio Rota dos Sertões venceu o leilão e ficará responsável pela administração de trechos da BR-324. A empresa, porém, ainda não iniciou os trabalhos. Enquanto isso, os baianos continuam enfrentando prejuízos e esperando por melhorias. Correio da Bahia








