Um avanço incomum do mar atingiu trechos do litoral sul de Santa Catarina na segunda-feira, 21. O episódio provocou alagamentos, acúmulo de areia em ruas, danos em estruturas e deslocamento de embarcações e foi associado a um tsunami meteorológico, conhecido também como meteotsunami.
O nome pode causar associação com os tsunamis provocados por terremotos, mas a origem é diferente. Nesse caso, a movimentação da água foi relacionada a uma combinação de condições atmosféricas: uma linha de instabilidade, mudanças rápidas na pressão do ar e rajadas de vento entre 60 e 90 km/h.
Como o mar consegue avançar tão rapidamente?
O fenômeno começa na atmosfera. Alterações rápidas na pressão atmosférica e ventos fortes podem produzir uma perturbação na superfície do oceano. Essa oscilação se desloca pelo mar e pode aumentar de amplitude quando encontra determinadas condições próximas à costa. O meteorologista do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), Thiago Barros, explica que o formato do litoral também interfere na intensidade observada.
“No tsunami meteorológico, a atmosfera exerce papel central. Mudanças rápidas na pressão atmosférica, linhas de instabilidade e ventos intensos podem gerar uma perturbação sobre a superfície do oceano. Essa oscilação pode se propagar e, ao alcançar determinadas condições costeiras, apresentar aumento de amplitude”, explica. Por isso, o avanço registrado em Santa Catarina não deve ser interpretado como um tsunami convencional, associado à ocorrência de um terremoto no fundo do mar.
Episódio em Santa Catarina significa risco para a Bahia?
O evento registrado no Sul do país não está se deslocando em direção ao litoral baiano. A ocorrência de um meteotsunami depende de uma combinação específica entre atmosfera, oceano e características geográficas da costa. Embora esses eventos sejam mais frequentes no Sul do Brasil, mudanças rápidas no nível do mar podem ocorrer em outros trechos do litoral quando as condições necessárias aparecem. Para a Bahia, não há indicação de formação de um tsunami meteorológico em andamento nem previsão de ocorrência semelhante relacionada ao episódio de Santa Catarina.
El Niño provocou o fenômeno?
O El Niño também não explica diretamente o avanço do mar observado em Santa Catarina. O fenômeno climático pode interferir nas condições atmosféricas de determinadas regiões, mas não é suficiente, isoladamente, para determinar a ocorrência de um meteotsunami específico.
Segundo Thiago Barros, a ocorrência desta segunda-feira está ligada diretamente à passagem da linha de instabilidade, à mudança rápida na pressão atmosférica, aos ventos fortes e às características da costa. “O cenário climático deste ano prevê a atuação do El Niño, mas os impactos desse fenômeno variam de acordo com a região e não permitem, isoladamente, explicar a ocorrência de um evento específico”, afirma. Informações do A Tarde





