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Com gols de Nestor, Pulga e Marcos Victor, Bahia vence o São Paulo em jogo de cinco gols 

O roteirista do duelo entre Bahia e São Paulo caprichou no enredo. Os três personagens centrais da polêmica que cercou o time após o duelo contra o Santos na rodada passada foram justamente os protagonistas da vitória do Esquadrão por 3×2, na noite desta quarta-feira (28), na Arena Fonte Nova, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Nestor, alvo das ofensas de Neymar, abriu o placar contra o ex-clube. Erick Pulga e Marcos Victor, duramente criticados pela torcida por tietarem o camisa 10 santista depois da confusão, construíram o segundo gol e, no caso do zagueiro, ainda marcaram o da vitória, completando uma noite de redenção.

E o enredo ainda teve suas reviravoltas. O jogo, que parecia encaminhado para um triunfo tranquilo com o 2×0 antes dos 10 minutos, quase virou uma grande decepção quando o Bahia caiu de rendimento e cedeu o empate na reta final do primeiro tempo, com gols de Lucas e Bobadilla. Na etapa final, depois de começar sufocado, o Esquadrão se reencontrou após as mudanças de Rogério Ceni e garantiu os três pontos com o gol de Marcos Victor, dando um respiro após uma sequência de apenas uma vitória nos cinco jogos anteriores.

Com o resultado, o Bahia chegou aos 53 pontos e ocupa, ao menos momentaneamente, a sexta colocação, apenas um ponto atrás de Athletico-PR e Cruzeiro, quarto e terceiro colocados, respectivamente. O próximo compromisso é justamente um confronto direto na briga pelo G-4: o Esquadrão encara o Cruzeiro na próxima quinta-feira (5), às 21h30, no Mineirão, pela 34ª rodada.

O JOGO

Depois de um dia inteiro de chuva em Salvador, o gramado da Fonte Nova estava pesado, mas longe do alagamento que o Esquadrão enfrentou na Vila Belmiro na rodada anterior. E, apesar do campo mais lento, a partida começou em ritmo acelerado. Logo aos 2 minutos, Wendell levantou uma falta frontal na área, a zaga do Bahia afastou parcialmente e a bola sobrou para Bobadilla, que bateu forte e parou em grande defesa de Ronaldo.

A resposta veio rápido. Aos cinco minutos, na primeira finalização do time no jogo, o Bahia abriu o placar. Depois de boa troca de passes pelo lado direito, a bola chegou a Jean Lucas, que cruzou com perfeição na primeira trave para Nestor. O camisa 11, pivô da confusão com Neymar na rodada passada, cabeceou com pinta de centroavante no pé da trave, sem chances para o goleiro Rafael. Mesmo evitando comemorar o gol contra o ex-clube, Nestor não escondeu a emoção depois de tudo o que viveu nos últimos dias.

O clima, que já ensaiava uma reconciliação entre time e torcida, melhorou ainda mais antes dos 10 minutos. E o segundo gol já antecipava o tom da noite: saiu dos pés de dois jogadores que exaltaram Neymar nas redes sociais depois da confusão com Nestor. Aos nove, Marcos Victor fez um belo cruzamento de pé esquerdo, e Pulga apareceu fechando na segunda trave para, de canela, empurrar a bola para o fundo das redes.

Era um alívio para uma arquibancada mordida, tanto pelo desempenho recente quanto pelos episódios dos últimos dias: a postura do clube na treta entre Nestor e Neymar e a polêmica envolvendo Willian José, cortado da relação da partida após compartilhar um vídeo com ataques ao Nordeste.

Com a vantagem construída, o Bahia recuou um pouco as linhas e passou a explorar os erros do São Paulo. A estratégia funcionou: o Esquadrão sofreu pouco defensivamente e seguiu criando chances para ampliar. Kike teve uma boa oportunidade em contra-ataque rápido e arriscou quase do meio-campo com o gol vazio, mas acertou o lado de fora da rede. Depois, Acevedo apareceu de surpresa na área e bateu cruzado, tirando tinta da trave.

Na reta final da primeira etapa, porém, o Bahia exagerou no recuo, chamou o São Paulo para o seu campo e viu tudo o que havia construído ir por água abaixo em poucos minutos. Aos 42, Wendell foi à linha de fundo e cruzou para Carelli, que rolou rapidamente para Lucas. Livre na entrada da área, o camisa 7 do São Paulo acertou um belo chute rasteiro no canto direito de Ronaldo e diminuiu.

Já aos 49, a zaga do Esquadrão não afastou bem um escanteio, e a sobra ficou com Bobadilla, que limpou a marcação e, da entrada da área, mandou no ângulo. Com o empate no placar, a equipe de Rogério Ceni foi para o intervalo debaixo de uma chuva de vaias da própria torcida.

Pressionado pela arquibancada e com a confiança abalada pelo fim do primeiro tempo, o Bahia foi amassado pelo São Paulo no início da etapa final. Com uma marcação alta, a equipe paulista sufocava o Esquadrão, que simplesmente não conseguia sair do próprio campo. Apostando principalmente nos cruzamentos, o São Paulo criou ao menos duas boas chances pelo alto nos primeiros minutos: Newton cabeceou por cima, da pequena área, e Lucas desviou um cruzamento para defesa de Ronaldo.

O Bahia só saiu das cordas aos 11 minutos, quando Rogério Ceni promoveu uma mudança tripla: Éverton Ribeiro, Erick e Ademir entraram nos lugares de Jean Lucas, Acevedo e Pulga. As mexidas deram ao time o controle do meio-campo e inverteram o cenário. Agora era o São Paulo quem ficava encurralado, enquanto o Esquadrão ganhava volume de jogo. Aos 19, o Bahia quase voltou à frente do placar em cobrança de falta de Nestor: Rafael voou para fazer grande defesa, e a bola ainda tocou na trave antes de sair.

Depois desse período de pressão, porém, o jogo esfriou. Por um bom tempo, nenhuma das equipes acelerava quando tinha a bola, e ambas pareciam satisfeitas com o empate. Mas foi justamente no auge da sonolência, quando tudo caminhava para um resultado frustrante, que Marcos Victor completou de vez sua redenção. Aos 35 minutos, Éverton Ribeiro cobrou falta na segunda trave, Erick desviou para o meio da área e encontrou o zagueiro livre na pequena área. De cabeça, ele venceu Rafael, marcou seu primeiro gol pelo clube e recolocou o Bahia em vantagem.

Na reta final, o Bahia não repetiu o erro do primeiro tempo e de outros jogos recentes: não recuou em excesso. O time adotou, sim, uma postura mais cautelosa, mas soube neutralizar as armas de um São Paulo já desgastado pelo gramado pesado e administrou a vantagem até o apito final. Uma vitória para começar a fazer as pazes com os pouco mais de 21 mil torcedores que foram à Fonte Nova. Correio da Bahia

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