
Nascido em Gandu, no interior da Bahia, Lucas Coelho é hoje um dos principais nomes da categoria 212 do fisiculturismo, representando o Brasil no Mister Olympia 2025, a competição mais prestigiada do esporte. Mas o caminho até os palcos internacionais foi marcado por desafios profundos — entre eles, a dependência química e a vida nas ruas de São Paulo.
Em entrevista ao GE.com, Lucas contou que chegou à capital paulista em busca de oportunidades, mas acabou envolvido com as drogas. “Comecei como todo jovem: com as más amizades. Experimentei algumas drogas que são, digamos, usadas normalmente. Depois, passei para a cocaína e, infelizmente, cheguei ao crack. Vivi alguns anos na Ipiranga com a São João, ali no centro, em situação de rua mesmo, chegando a revirar lata de lixo para comer”, relembra.A virada aconteceu aos 20 anos, quando foi resgatado por um projeto social que o ajudou a deixar as ruas e conhecer o esporte. “Não sei se muita gente conhece esse lado da minha história, mas já fui um cara desprovido de vivência familiar. Fui morador de rua, dependente químico. É uma parte da minha vida que não pode ser apagada, porque mostra que você pode nascer em um berço pobre, ter poucas oportunidades, mas, se acreditar 100% em Deus e colocar como meta ser um ser humano melhor, você se liberta de tudo isso”, afirma.
Lucas iniciou sua trajetória no fisiculturismo em 2012, aos 27 anos, e desde então conquistou o pro card, título que o reconhece como atleta profissional. Participou das últimas três edições do Mister Olympia, e, embora ainda ocupe posições discretas — como o 17º lugar em 2025 —, segue determinado a alcançar o topo.
“Tem pessoas que ainda me reconhecem, que sabem daquilo que Deus transformou na minha vida. Tudo o que aconteceu não utilizo para que me vejam como coitado, porque não sou. Sou, sim, um grande campeão. Um homem que teve mil oportunidades de permanecer caído e escolheu vencer”, declara. A fé é o alicerce da jornada do atleta. “Eu sempre pedi a Deus: ‘Não há força em mim, mas levanta alguém mais forte do que eu, que possa me libertar desse vício e me arrancar das ruas.’ Isso aconteceu. Graças a Deus, fui ajudado e, hoje, vocês contemplam a graça de Deus na minha vida, porque, se não houvesse ela, nada disso teria acontecido.”







