
A alegria típica do Carnaval de Maragogipe, no Recôncavo Baiano, está dando lugar à preocupação. Conhecida pelas máscaras e fantasias que marcam a identidade da festa, a cidade enfrenta um cenário de insegurança provocado pela disputa entre as facções Bonde do Maluco e Comando Vermelho.
Moradores relatam medo de que criminosos utilizem os trajes para esconder a identidade e atacar rivais. “Hoje ninguém sabe quem está por baixo da fantasia”, disse um morador, lembrando que, no passado, era comum receber mascarados dentro de casa — algo que já não acontece.
Localizada às margens da Baía de Todos-os-Santos, no encontro dos rios Rio Paraguaçu e Rio Guaí, a cidade sempre foi reconhecida pela beleza natural e pela cultura popular. Mas episódios recentes reforçaram a sensação de perigo.
Em julho do ano passado, cerca de 20 homens armados invadiram de barco a localidade de São Roque do Paraguaçu e dispararam contra lojas e veículos — ataque atribuído ao Comando Vermelho. No mesmo período, um crime brutal chocou a região após partes do corpo de um homem serem encontradas no distrito de Najé.
Para tentar garantir a segurança no período momesco, a Polícia Militar da Bahia reforçou o policiamento. Segundo o tenente-coronel Botelho, 76 agentes foram enviados de outras cidades, além de mais de 200 policiais já mobilizados no município.
Enquanto isso, moradores esperam que a festa volte a ser sinônimo apenas de cultura e alegria — e não de medo.







