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Quem inventou o Dia das Crianças? Veja a origem da data no Brasil; estratégia para movimentar comércio

O Dia das Crianças é comemorado no Brasil em 12 de outubro, e, diferente de outras datas comemorativas, não tem uma origem religiosa nem familiar, e, sim, uma combinação de iniciativas políticas, educacionais e comerciais. A ideia de ter uma data nacional dedicada à infância surgiu ainda nos anos 1920 – mais de 100 anos atrás –, mas só se consolidou mesmo a partir dos anos 1960, quando passou a ser usada também como uma estratégia para movimentar o comércio.

12 de outubro, Dia das Crianças e do descobrimento da América

A escolha do 12 de outubro tem relação com outro evento importante para a história oficial: o descobrimento da América, celebrado nessa mesma data. Para alguns, essa ligação simbólica com a ideia de “novo mundo” fez sentido: a criança também representa esse novo, o que está por vir.

Mas o que realmente fez a data “pegar” foi o apelo comercial. Nos anos 1950, a empresa Estrela, em parceria com a Johnson & Johnson, lançou uma campanha publicitária para alavancar as vendas de brinquedos. O sucesso foi tanto que o 12 de outubro se consolidou como o Dia das Crianças no calendário comercial, nos moldes do que aconteceu com o Dia das Mães e o Dia dos Pais.

Presentes e desigualdades

Presentear virou tradição – e também uma pressão. A professora Magda Sarat, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD/MS), disse ao g1 em 2025 que as famílias se sentem cobradas a dar algo, mesmo que simbólico.

Segundo Sarat, não é preciso comprar o brinquedo mais caro: o importante é considerar os interesses da criança. Ela chama atenção ainda para as desigualdades de gênero nos brinquedos, com a predominância de brinquedos ligados ao espaço doméstico para as meninas – bonecas, panelas, vassouras – e ao espaço público para meninos, como bolas, carros, aventuras.

Hoje: crianças com voz e direitos

Apesar das contradições, o Brasil avançou bastante na proteção da infância. Hoje, a criança é reconhecida como cidadã, com direitos garantidos em lei, de acordo com Sarat. Entre os principais marcos estão a Declaração dos Direitos da Criança (1989), o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) e a inclusão da educação infantil na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996). Para Sarat, a criança passa a ter um lugar e ser reconhecida como um sujeito e não apenas alguém em formação. G1

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