Os quadros da Assembleia Legislativa da Bahia e a bancada do estado na Câmara Federal devem ter poucas alterações nas eleições deste ano. Um dos elementos que contribuem para isso é a queda no número das candidaturas. Em 2022 foram 776 candidaturas para deputado federal, com 666 delas consideradas aptas. Nesta eleição foram submetidas 533 candidaturas. Para a Assembleia Legislativa, foram 844 candidaturas aptas, de um total de 913 registradas, contra 642 registros nesta eleição. Ao todo, a queda foi de 30%.
Em proporção, se em 2022, eram 17,1 candidatos para cada vaga em uma das 39 cadeiras na Câmara Federal, a queda nos registros deste ano resultou em uma disputa de 13,7 pessoas por vaga; na AL-BA, eram 13,4 pessoas por vaga em 2022, caindo para 10,2 candidatos em 2026.
Alguns fatores contribuem para essa queda de candidaturas e a preservação dos mesmos personagens políticos, de acordo com Jorge Almeida, professor de Ciências Políticas da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas. A questão econômica, com a distribuição do financiamento partidário direcionado para figuras de maior expressividade e que já estão na vida pública, ou mesmo o financiamento privado das campanhas, acaba pesando durante uma eleição, em visibilidade e também o apoio de agentes maiores como membros dos governos estadual e federal.
Para o pleito de outubro, 35 dos 39 parlamentares eleitos em 2022 estão concorrendo à reeleição. Ainda assim, os quatro que não vão aparecer com os nomes nas urnas em outubro têm sucessores mais que encaminhados. Alex Santana (Republicanos) havia se licenciado para assumir a Secretaria Municipal de Relações Institucionais (Serin) de Salvador, abrindo vaga para Marcelo Nilo (Republicanos). Ele concorre diretamente ao cargo nesta eleição.
Já João Leão (PP), que também foi alocado em uma secretaria da capital baiana, abriu vaga para Jorge Araújo (PP) na Câmara e deve apoiar o filho Cacá Leão (PP); ambos vão disputar o cargo no parlamento. Quem também vai apostar no herdeiro é o experiente José Rocha (União Brasil), que após oito mandatos na Câmara, tenta passar o bastão para seu filho Manuel (União Brasil), que é deputado estadual.
Otto Filho (PSD) deixou o cargo após ser alçado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). Seu suplente, Charles Fernandes (PSD), tenta conquistar um mandato próprio nas urnas para se manter em Brasília.
No cenário estadual, dos 63 deputados da Assembleia Legislativa da Bahia, 51 tentam a reeleição. Dentre os que não tentaram um novo mandato estão o ex-presidente da Casa, Adolfo Menezes (PSD), que deve ir para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM); Luciano Ribeiro (União Brasil), que herdou o cargo após a morte de Alan Sanches (União Brasil), em 2025; e Leandro de Jesus (PL), que tenta chegar à Brasília.
Além de Leandro e Manuel Rocha, Olívia Santana (PCdoB), Robinho (União Brasil) e Vitor Bonfim (PSB) vão pleitear uma vaga na Câmara dos Deputados. Já Binho Galinha (Avante), teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e é alvo de uma impugnação, devido às investigações contra ele no âmbito da ‘Operação El Patrón’.
É comum
Esse movimento de manutenção dos deputados é algo comum, de acordo com Jorge Almeida. Por estarem inseridos dentro da máquina pública e terem acesso ao dinheiro de emendas e recursos, todo movimento feito acaba sendo uma espécie de “propaganda” visando a manutenção dos cargos. “Essa estrutura dos mandatos é cada vez maior. Essa estrutura de assessorias, de verbas para comunicação, para transporte, viagens, tudo isso alimenta uma máquina eleitoral permanente”, explica.
Outro elemento é o “familismo”, destaca o professor: “muitas vezes a renovação não é uma renovação. Muda-se a pessoa, mas é a mesma família (no poder)”. Em 2014, a renovação da Câmara dos Deputados foi de 43%, seguida pelo recorde de 2018 e quando se registrou 47,37%; já em 22, o índice caiu para 39,38%. Todos esses fatores refletem nas eleições de várias formas, fazendo a máquina eleitoral girar. O professor aponta para um momento de manutenção dos agentes políticos, em razão da polarização existente no país, que pouco se alterou nos últimos quatro anos e ainda hoje se repetem:
“Não houve uma mudança, é mais ou menos a mesma relação de forças da outra vez. Na Bahia, foi e agora é Jerônimo contra ACM Neto. No Brasil, da outra vez foi Lula e Bolsonaro e agora novamente. Por isso que eu acho que a tendência de mudança é baixa”, finaliza. Correio da Bahia





