
Antes da operação policial que terminou com nove homens mortos entre Cajazeiras V e Cajazeiras XI, Salvador havia registrado 17 ocorrências classificadas pelo Instituto Fogo Cruzado como chacinas policiais em 2026. Os episódios deixaram 59 mortos entre 1º de janeiro e 14 de setembro.
O termo “chacina policial” segue a metodologia do Fogo Cruzado, organização independente que monitora a violência armada. O instituto classifica como chacina qualquer situação em que três ou mais civis sejam mortos, inclusive durante operações policiais.
Essa, no entanto, não é a denominação utilizada oficialmente pelas forças de segurança. A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) registra casos desse tipo como ocorrências ou operações policiais e adota a categoria “mortes por intervenção legal de agentes do Estado” em suas estatísticas. No episódio de Cajazeiras, a polícia afirma que houve confronto após homens armados atirarem contra os policiais.
Os números do Fogo Cruzado ainda não incluem a ação de terça-feira (15). Pelo critério empregado pelo instituto, a ocorrência reúne as características de uma chacina. Incluindo o episódio, haverá aumento de 17 para 18 o número de ocorrências classificadas como chacinas policiais em Salvador neste ano. O total de mortos nesses casos passaria de 59 para 68.
Operação apreendeu 11 armas
Segundo a Polícia Militar, o policiamento na região foi reforçado depois que as equipes receberam informações sobre um possível encontro entre integrantes de grupos criminosos.
Durante as incursões, conforme a corporação, homens armados dispararam contra os policiais e fugiram por uma área de mata. Houve confronto durante a tentativa de prisão. Nove homens foram atingidos, socorridos para o Hospital Eládio Lasserre, em Cajazeiras II, mas não resistiram. Nenhum policial foi baleado e um homem foi preso.
A ação resultou na apreensão de 11 armas: cinco pistolas, quatro fuzis, uma carabina calibre 9 milímetros e uma espingarda calibre 12 automática. Também foram encontrados munições, drogas, celulares e uma placa de colete balístico que, segundo a SSP-BA, pode ter sido desviada do Exército Brasileiro.
A polícia aponta William Couto Neves, um dos mortos, como o principal alvo da operação e afirma que ele transportava armas e munições para uma facção criminosa.
Salvador e RMS
Em Salvador e nos demais municípios da Região Metropolitana, o Fogo Cruzado contabilizou 23 ocorrências classificadas como chacinas até 14 de setembro, com 79 mortos. Desse total, 22 teriam ocorrido durante ações policiais e deixado 76 vítimas.
Se o novo caso for posteriormente incluído pelo instituto, os números poderão subir para 24 chacinas e 88 mortos na região. Entre os episódios ocorridos durante ações policiais, seriam 23 casos e 85 vítimas.
O levantamento também aponta 492 tiroteios durante ações policiais em Salvador e Região Metropolitana no período, com 354 mortos e 96 feridos. Somente em Salvador, foram registrados 362 tiroteios durante intervenções policiais, que deixaram 252 mortos e 83 feridos. Correio da Bahia





