Política

Com Marinho na disputa à presidência do Senado, PL já se divide sobre lançar nome para Câmara dos Deputados

Após lançar nesta quarta-feira (4) o nome de Rogério Marinho (RN) para a disputa à presidência do Senado, o PL se divide sobre ter ou não uma candidatura ao comando da Câmara. O assunto foi discutido nesta terça-feira (3) com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e lideranças do PL. A ala que defende compor com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), argumenta que, se o PL não fizer isso, ficará isolado, sem direito a pedir as presidências das principais comissões da Casa.

Até agora, Motta conseguiu o apoio de 15 partidos, que devem formar o maior bloco da Câmara. Segundo projeções feitas por técnicos da Casa, se ficar de fora do bloco, o PL teria a 16ª escolha de comissão para presidir, o que jogaria a sigla para colegiados menos prestigiados. Se entrar no bloco de Motta, o partido teria a preferência para escolher as três primeiras comissões – já que elegeu a maior bancada de 2027.

“Um gesto como esse [lançar candidatura contra Motta] nos deixaria fora do bloco. E estar fora do bloco significa não ter nenhuma comissão relevante. Ou seja, seríamos apenas coadjuvantes por dois anos”, diz um parlamentar que participa das conversas. Para essa liderança, lançar uma candidatura própria seria apenas um gesto político, mas sem futuro.

O cenário seria semelhante ao que aconteceu com o PL no Senado em 2023. Na ocasião, Marinho insistiu no enfrentamento ao então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e perdeu a disputa. Por isso, o PL ficou sem comissões e sem espaço na Mesa Diretora. O caso é lembrado por integrantes dessa ala pragmática, que dizem que o partido “se arrependeu amargamente” da decisão.

Nas duas últimas eleições para a presidência da Câmara, o PL e o PT se uniram em um mesmo bloco: em 2023, em apoio a Arthur Lira (PP-AL); em 2025, em apoio a Motta. A defesa desta ala seria seguir o mesmo movimento. Mas o posicionamento não é unânime. Boa parte da bancada, em especial a parcela de deputados novatos, defende uma candidatura própria.

Um nome importante do grupo que defende candidatura própria e estava no encontro com Valdemar diz que o sentimento de independência em relação a Motta é majoritário. “Queremos uma candidatura própria, seja pra ganhar ou para perder”, diz esse parlamentar na condição de anonimato.

A avaliação desta ala é que, passada a eleição, não pegará bem entre os eleitores que o PL apoie Motta e faça parte do mesmo bloco do PT. Este deputado afirma que “a gota d’água” foi o presidente da Câmara defender publicamente a reeleição do presidente Lula (PT). Os deputados que defendem uma candidatura própria diminuem o peso das comissões no processo legislativo.

A avaliação é que, nos últimos anos, os colegiados ficaram esvaziados, já que se tornou frequente que o presidente da Casa aprove requerimentos de urgência e pule a etapa de propostas importantes para que elas sejam votadas diretamente no plenário.

A outra vantagem de ter o comando das comissões seriam as emendas diretamente vinculadas aos colegiados. Estes recursos não são de execução obrigatória por parte do governo federal e tendem a ser negociados diretamente entre a cúpula do Congresso e o Palácio do Planalto. Mas, justamente por essa dependência do Executivo, os deputados desta ala também não acreditam que vale a pena abrir mão de uma candidatura por estas emendas. G1

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