
O governo brasileiro aguarda a publicação do decreto do presidente americano Donald Trump para avaliar os impactos da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos contra países que mantêm relações comerciais com o Irã. O republicano anunciou uma sobretaxa de 25% sobre produtos exportados aos EUA por nações que negociam com Teerã, medida que pode atingir o Brasil devido ao fluxo comercial com o país do Oriente Médio.
No último ano, empresas brasileiras exportaram cerca de US$ 3 bilhões para o Irã, principalmente milho, soja e açúcar. Embora Trump tenha afirmado que a tarifa já está em vigor, ainda não foram detalhados quais produtos serão afetados, nem se o imposto se somará às sobretaxas já existentes. No caso brasileiro, alguns itens enviados aos Estados Unidos já enfrentam tarifas de até 50%.
A nova taxação se insere na estratégia de Washington de isolar o principal adversário dos EUA no Oriente Médio, em meio a uma onda de protestos contra o regime iraniano. Atualmente, os maiores parceiros comerciais do Irã são China, Iraque, Emirados Árabes, Turquia e Índia.
Antes do tarifaço, Trump havia ameaçado atacar o Irã, alegando necessidade de conter a repressão contra manifestantes. O que começou como protesto contra o custo de vida tornou-se uma das maiores mobilizações contra o regime desde 1979. Segundo organizações de direitos humanos, 648 pessoas foram mortas e mais de 10 mil foram presas, números que não puderam ser verificados de forma independente devido ao bloqueio da internet e da telefonia pelo governo iraniano.
Diante da escalada, o chanceler iraniano afirmou que o país está “aberto ao diálogo, mas preparado para a guerra”. O governo também convocou os embaixadores de Alemanha, França, Itália e Reino Unido, pedindo que países europeus suspendam o apoio às manifestações. Em resposta, o premiê alemão Friedrich Merz declarou que “a violência contra manifestantes é um sinal de fraqueza do governo iraniano”.







