
Baiano disse que escapou por pouco da explosão, porque a carreta atingiu justamente o lado do ônibus onde ele estava.
Um dos sobreviventes do acidente entre um ônibus e uma carreta que deixou ao menos oito mortos na BR-251, em Minas Gerais, na manhã de domingo (24), o baiano Ednaldo Oliveira Freitas, de 42 anos, contou que viu uma “bola de fogo” surgir ao lado da poltrona onde estava sentado e precisou correr para escapar das explosões.
Ednaldo Oliveira é morador de Anguera, a cerca de 30 km de Feira de Santana, onde ele desceria do ônibus. Ele pegou o veículo na cidade de Tietê, São Paulo, onde resolveu problemas pessoais.
Segundo Ednaldo, o impacto aconteceu pouco depois de acordar. “Foi um susto tremendo. Fui arremessado para a cadeira da frente, bati meu tórax e o caminhão bateu de frente”, relatou.
O sobrevivente disse que escapou por pouco da explosão, porque a carreta atingiu justamente o lado do ônibus onde ele estava. “Foi Deus, porque um dos caminhões entrou do lado onde eu estava, na lateral. A explosão iniciou bem do meu lado”.
Ainda abalado, Ednaldo lembrou do desespero após a batida. Segundo ele, a porta do ônibus estourou após o impacto.
“Eu vi uma bola de fogo e a porta estourou. Pulei desnorteado e vi mais seis pessoas saindo: um rapaz, uma mãe e filha e um casal de idosos”.
Mesmo ferido, ele ajudou no resgate de vítimas logo após conseguir sair do veículo. “Ouvi um grito do motorista do caminhão pedindo para socorrer ele, porque não conseguia sair. Gritava para não morrer queimado. Fui lá e puxei ele”.
Ednaldo acrescentou que conseguiu arrastar o motorista para uma área afastada da pista.
“Coloquei na parte do acostamento, perto de uma ribanceira, onde tinha um capim molhado. Ele estava com a cabeça machucada e o sangue sujou minha roupa toda”.

Ainda segundo o baiano, outras explosões aconteceram na sequência. “Depois ajudei um outro passageiro que apareceu do nada e tive que sair correndo, porque estava tendo outras explosões”.
Em entrevista ao g1, o sobrevivente reclamou da falta de assistência prestada pela empresa responsável pelo ônibus após o acidente. Segundo ele, alguns passageiros foram levados para um hotel em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, mas enfrentaram dificuldades para seguir viagem.
“Estamos passando por um transtorno, porque a empresa não está prestando assistência. Tiraram eu e mais quatro pessoas do hospital e trouxeram para um hotel em Vitória da Conquista, mas já venceu o horário e eles não pagaram. Mandaram comprar a medicação e não deram o dinheiro”.
“Eles disseram que a gente ia viajar para casa 10h50. Só que como não depositaram o dinheiro, não deu para a gente pegar o ônibus”.
Ao relembrar o momento da colisão, Ednaldo resumiu o trauma vivido na estrada. “O caminhão entrou uma cadeira à frente de mim e pegou fogo. Não desejo isso nem para meu inimigo”.
Relembre o acidente
A batida entre o ônibus e a carreta, seguida de incêndio, deixou pelo menos oito pessoas mortas e outras nove feridas. Segundo informações do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os veículos foram tomados pelas chamas após o impacto.
O acidente foi registrado no km 234 da BR-251, em Santa Cruz de Salinas. De acordo com a PRF, a colisão frontal ocorreu por volta das 4h30 e envolveu um ônibus e um caminhão carregado com peças automotivas e sucatas.
Ainda conforme a PRF, o ônibus saiu de São Bernardo do Campo (SP) e seguia para Aracaju (SE). Já o veículo de carga fazia o trajeto entre Fortaleza (CE) e Piracicaba, no interior paulista.
Após a batida, os veículos pegaram fogo. Os corpos das vítimas ficaram carbonizados e presos às ferragens, de acordo com os bombeiros.

FONTE: G1 Bahia
Fotos: Arte/g1








