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Bahia concentra quase 40% dos registros de tráfico humano no Brasil, diz levantamento do Anuário

O tráfico de pessoas, um dos crimes mais silenciosos e difíceis de identificar, ganhou uma dimensão alarmante na Bahia. Dados inéditos do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o estado registrou 172 notificações de tráfico de seres humanos em 2025, o maior número entre todas as unidades da Federação.

O volume chama atenção não apenas pela liderança estadual, mas pela distância em relação aos demais estados brasileiros. A Bahia respondeu sozinha por 39,7% dos 433 casos registrados em todo o país pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

O segundo estado com maior número de registros foi São Paulo, com 42 notificações, menos de um quarto do total baiano. O cenário coloca a Bahia no centro do debate sobre uma modalidade criminosa que, apesar de possuir legislação específica e estar inserida em agendas internacionais de combate, ainda enfrenta desafios para ser plenamente identificada e combatida.

Um salto que colocou a Bahia no topo do ranking nacional

A série histórica analisada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela uma mudança significativa no cenário baiano. Em 2017, primeiro ano analisado pelo levantamento, a Bahia tinha registrado apenas 7 notificações de tráfico humano. O número permaneceu relativamente estável nos anos seguintes, variando entre 8 e 17 registros até 2022. A partir de 2023, porém, houve uma aceleração:

  • 2023: 25 notificações;
  • 2024: 48 notificações;
  • 2025: 172 notificações.

Em apenas dois anos, o crescimento foi de aproximadamente 588%. O aumento pode indicar uma maior capacidade de identificação dos casos pelos serviços públicos, mas também acende um alerta sobre a existência de uma rede de exploração que durante anos permaneceu invisível aos registros oficiais.

O crime que acontece longe dos olhos da sociedade

O tráfico de pessoas envolve o recrutamento, transporte, transferência ou controle de pessoas por meio de ameaça, violência, fraude ou abuso de vulnerabilidade com objetivo de exploração. Essa exploração pode ocorrer de diferentes formas, como:

  • exploração sexual;
  • trabalho análogo à escravidão;
  • adoção ilegal;
  • servidão;
  • remoção de órgãos;
  • exploração criminosa.

Segundo especialistas ouvidos pelo Anuário, a principal dificuldade no enfrentamento está justamente na invisibilidade. Muitas vítimas não conseguem denunciar, não se reconhecem como vítimas ou permanecem submetidas a ameaças e dependência econômica ou emocional dos criminosos. Na prática, o número registrado representa apenas uma parcela dos casos existentes.

Bahia concentra mais notificações, mas investigação ainda é desafio

Apesar do crescimento das notificações pelo sistema de saúde, o combate ao tráfico humano enfrenta um obstáculo conhecido como “funil institucional”. Os dados revelam um descompasso entre a identificação das possíveis vítimas e a resposta das forças de segurança. Em 2025, a Bahia registrou 172 notificações de tráfico de pessoas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o maior número entre todos os estados brasileiros e equivalente a quase 40% dos casos registrados no país. Informações do A Tarde

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